A Betnacional, marca que tem Vinícius Júnior e Galvão Bueno como garotos-propaganda, entrou na mira da Operação Jogo de Sombras, deflagrada nesta sexta-feira (28) pela Receita Federal e pelo Ministério Público Federal. A investigação apura suspeitas de sonegação fiscal, evasão de divisas e lavagem de dinheiro na exploração de apostas esportivas. Nem Vini Jr. nem Galvão são alvos da operação.

Eu já tinha chegado ao coworking em Botafogo e Caio Meireles estava abrindo as fotos da cobertura do fim de semana quando a notícia entrou no celular. Parei a seleção de imagens. Porque uma coisa é ver Vini e Galvão vendendo emoção de Copa; outra é descobrir que a marca por trás daquela campanha amanheceu com Receita e MPF batendo à porta.

A ação atingiu a NSX Brasil, grupo que controla Betnacional e Betfair. Foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão em Recife, João Pessoa e São Paulo. Segundo a Receita, o grupo investigado movimentou mais de R$ 5 bilhões apenas em 2025, enquanto a apuração fiscal mira possível recuperação de cerca de R$ 300 milhões. Não há mandados de prisão.

Galvão Bueno em anúncio da casa de apostas

A suspeita é de que uma empresa de fachada em Curaçao tenha sido usada para dar a aparência de que a operação funcionava fora do Brasil antes da regulamentação das bets. Os investigadores afirmam que empresas brasileiras vinculadas ao grupo seriam as responsáveis de fato pelo negócio no país. Também há apuração sobre uso de fintechs para dificultar o rastreamento da circulação de recursos.

Caio deu zoom numa foto e perguntou se eu queria separar alguma imagem de Vini para a pauta. “Quero”, respondi. “Porque hoje o anúncio de bet ganhou um rodapé que ninguém gostaria de ler.” A campanha publicitária tem celebridade, camisa de time e transmissão esportiva. O inquérito, por sua vez, tem papelada, fluxos financeiros e uma diligência no escritório do Recife.

Receita Federal e MPF deflagraram a Operação Jogo de Sombras

A Betnacional se tornou uma das marcas mais visíveis do setor: além de Vini Jr. e Galvão, contratou nomes como Thiaguinho e Seu Jorge e patrocina clubes como Cruzeiro e Sport. Isso não implica envolvimento dos artistas ou atletas nas suspeitas investigadas, mas mostra o tamanho da vitrine que agora ficou colada a uma operação federal.

Em nota, a NSX Brasil confirmou a diligência, disse que ainda buscava acesso integral aos autos e afirmou conduzir suas atividades de acordo com a legislação, com estruturas de controle e compliance. Depois, informou que entregou a documentação solicitada e que seguirá prestando esclarecimentos pelos canais institucionais.

No fim, voltamos às fotos. Mas eu deixei essa separada: a publicidade vende uma aposta como espetáculo; a Receita agora tenta entender o que estava por trás do palco. E essa é uma fofoca de milhões, só que com advogado, contador e investigação no meio.