A decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de anular os 274.411 votos recebidos por Anthony Garotinho (Republicanos) dividiu as reações políticas no Rio de Janeiro nesta quinta-feira, 8. Aliados de Douglas Ruas (PL) comemoraram o resultado e passaram a tratá-lo como governador eleito, enquanto adversários criticaram a decisão e associaram a chegada do candidato ao Palácio Guanabara à continuidade do grupo político de Cláudio Castro.
Dos dois lados, as manifestações rapidamente avançaram para o segundo turno presidencial, com apelos por Flávio Bolsonaro (PL) ou Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O TSE rejeitou por 5 votos a 2 a candidatura de Garotinho e anulou os votos recebidos por ele no primeiro turno. Sem esses votos na base de cálculo, Ruas passa dos 49,27% registrados originalmente para aproximadamente 50,9%, porcentual suficiente para vencer no primeiro turno. O resultado ainda deve passar pela retotalização e proclamação formal pela Justiça Eleitoral.
Eleito senador pelo Rio, Carlos Portinho (PL) publicou uma fotografia ao lado de Ruas e Flávio Bolsonaro com a mensagem de que "as ruas e o TSE confirmaram" a vitória do candidato ao governo. "Como dizia...: VENCEMOS TODOS!", escreveu. Na mesma publicação, projetou a mobilização do grupo para a eleição presidencial: "E venceremos com Flávio Bolsonaro".
O deputado estadual eleito Alan Lopes (PL) também comemorou o resultado. "Acabouuuuu. Douglas Ruas é o novo governador do Rio de Janeiro!!!", publicou.
Já Rafael Satiê, eleito deputado federal pelo PL, publicou um vídeo em frente ao TSE no qual afirmou que "o tiro do Eduardo Paes acabou saindo pela culatra". Segundo ele, a anulação dos votos de Garotinho terminou beneficiando Ruas. Satiê também ironizou as derrotas anteriores de Paes em disputas pelo governo estadual. "Hoje, Eduardo Paes, você é tri, três vezes derrotado para governador. Já pode pedir música no Fantástico", disse.
Carlos Jordy (PL), também eleito senador pelo Estado, publicou no Instagram: "Douglas Ruas eleito governador no 1º turno!!! Tchau, Dudu!". Na imagem que acompanhou a postagem, apresentou o candidato do PL como governador eleito, ao lado de Flávio.
O pastor Silas Malafaia também celebrou. "Parabéns, Douglas Ruas!", escreveu, acompanhando uma imagem na qual afirmou ter apoiado o candidato "quando ninguém acreditava nele".
Do outro lado, parlamentares críticos a Ruas reagiram associando o resultado ao grupo político que atualmente comanda o Estado. Em vídeo, o deputado Otoni de Paula (PSD) afirmou que o Rio terá um governador que chega ao cargo já sob investigação e vinculou Ruas ao mesmo campo político de Cláudio Castro e Flávio Bolsonaro. Ao atacar os adversários, usou termos como "quadrilha" e "corrupto". "Mais uma vez, a família Bolsonaro nos oferece um corrupto e mais uma vez o Rio de Janeiro aceita o corrupto oferecido pela família Bolsonaro", disse.
Ruas é alvo de procedimento aberto pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) em 17 de julho para apurar suspeitas de crimes licitatórios, peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa relacionadas a empresas das quais é sócio e a contratos firmados durante sua passagem pela Secretaria das Cidades. O deputado nega irregularidades e afirma que a investigação será arquivada.
O pastor Henrique Vieira (PSOL) também reagiu em tom crítico e apresentou Ruas como parte da continuidade do grupo político que atualmente governa o Estado. Em vídeo, afirmou que o candidato representa uma "linha de continuidade de Cláudio Castro" e fez duras acusações contra esse campo político. "Nós seremos governados, na minha opinião, por uma máfia. A linha de continuidade de uma máfia, de um grupo criminoso que vem destruindo o Estado do Rio de Janeiro, numa mescla de crime, política e corrupção", afirmou.
O parlamentar também levou a crítica para a disputa presidencial e associou diretamente esse grupo a Flávio Bolsonaro. "O que Flávio Bolsonaro quer fazer é pegar esse modelo de corrupção e crime e transportar, exportar para o Brasil", afirmou. Na sequência, disse que pretende manter a oposição ao grupo tanto no Rio quanto na eleição nacional: "Vamos resistir, pessoal, com pé no chão, com brilho nos olhos, com fé no futuro."
A deputada federal eleita Anielle Franco (PT) classificou a situação como "uma vergonha" e afirmou que, com a anulação dos votos de Garotinho, o Estado perdeu a possibilidade de realizar o segundo turno. Também levou a reação para a disputa nacional: "Diante desse cenário, eleger Lula presidente do Brasil no segundo turno é ainda mais importante para o futuro do Rio", escreveu.
O deputado federal eleito Marcelo Freixo (PT-RJ) também nacionalizou a reação e apresentou o resultado no Rio como um alerta para a disputa presidencial. "O resto do Brasil tem que olhar para o Rio de Janeiro como alerta. Flávio é o representante dessa lógica miliciana que domina a política do RJ há décadas, que controla territórios e transforma esse domínio em votos e se perpetua no poder, mesmo com gestões marcadas por muita corrupção e resultados desastrosos na segurança, na saúde, na educação", afirmou.
Estadão Contéudo