A integrante do Comitê de Política Monetária (MPC, na sigla em inglês) do Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) Catherine Mann afirmou nesta quinta-feira, 1, que as condições financeiras reais no Reino Unido estão "insuficientemente restritivas" e que, em algum momento, a autoridade monetária precisará elevar a taxa básica de juros.
Segundo Mann, a inflação britânica está acima da meta há cinco anos e o conflito no Oriente Médio ampliou os riscos de alta dos preços. Nesse cenário, condições financeiras reais e nominais precisam permanecer apertadas. Ela lembrou que votou por elevação de 25 pontos-base da taxa básica nas duas últimas reuniões do MPC.
A dirigente destacou que a curva de juros do mercado passou a embutir mais de 100 pontos-base de aperto monetário nos próximos 12 meses, enquanto pesquisa do BoE com participações do mercado aponta para manutenção prolongada dos juros, seguida de cortes. Para Mann, essa diferença sugere aumento dos prêmios de risco cobrados pelos investidores britânicos.
Mann afirmou que o BoE não pode depender apenas da elevação dos yields nominais para produzir restrição monetária. "Em algum momento, precisamos dar seguimento aos aumentos da taxa básica", disse, para preservar a credibilidade e evitar queda das expectativas para os juros e nova alta das expectativas de inflação.
Na avaliação da dirigente, elevar a taxa básica em meio a riscos crescentes de inflação pode ajudar a assegurar retorno sustentável dos preços à meta de 2%, com menores perdas para a atividade. Mann acrescentou que, com a continuidade "esporádica" do conflito no Oriente Médio, a incerteza sobre a economia e os riscos inflacionários permanece elevada.
Estadão Conteúdo.