ISABELA PALHARES
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), disse neste sábado (19) esperar que o ex-vereador Milton Leite (União Brasil) responda por seus atos e que seu aliado político terá condição de se defender. O ex-presidente da Câmara de SP foi preso nesta sexta-feira (18) em uma investigação que apura infiltração da facção PCC (Primeiro Comando da Capital) no transporte público paulistano.

"Todos os vereadores da base são meus aliados, de todos os partidos. A gente não tem como se responsabilizar, não querendo fazer uma incriminação antecipada, porque o Milton vai ter toda condição de provar sua inocência ou o Ministério Público provar o contrário. A decisão final será do juiz", disse Nunes. O prefeito participou na manhã deste sábado da abertura da Virada Esportiva, no Pacaembu.

Vereador desde 1997, Milton Leite tinha ampla influência no Executivo paulistano. Em 2024, disputou a indicação para vice na chapa de Nunes. A vaga acabou ficando com o coronel Mello Araújo, indicado por Jair Bolsonaro.

Alexandre Leite, filho mais velho de Milton, foi secretário de Relações Institucionais da prefeitura até março deste ano, quando deixou o cargo para concorrer a deputado federal. Nunes esteve no lançamento da campanha.

"Estive no lançamento da campanha dos filhos dele para deputado, assim como estive no lançamento de dezenas de candidatos", disse Nunes. O prefeito ainda afirmou não ter falado com Milton Leite ou com os filhos desde a prisão do ex-vereador.

"Já tem alguns dias que não falo com ele", disse.

A Operação Vectura Corrupta afirmou que a facção controla 12 empresas de ônibus da Grande São Paulo em um esquema de lavagem de dinheiro. Uma das companhias investigadas é a Transwolff, que atua na zona sul da cidade. A empresa nega irregularidades.

A investigação classificou o ex-presidente da Câmara Municipal como "dono de fato" da Transwolff. O ex-vereador, segundo as investigações, seria responsável direto por sua operação.

Em conversa por telefone com a Folha de S.Paulo na manhã de quinta (17), Milton negou qualquer relação com a Transwolff e com a facção criminosa.

"Nego veementemente, não conheço ninguém do PCC nessa vida. A minha relação com o setor foi institucional, a pedido do então prefeito Bruno Covas, inclusive na negociação de uma greve em 2019. Não há nenhuma hipótese de eu ser dono [da Transwolff]. Nunca tive um carro", disse.
A trajetória da Transwolff é parecida com a de outras empresas de ônibus apontadas como parte do esquema.