A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu nesta sexta-feira (2) ao Tribunal Superior Eleitoral a inclusão do fechamento de consulados dos Estados Unidos no Brasil em investigação sobre suposta interferência nas eleições.

Protocolada a dois dias do primeiro turno, a petição encaminhada ao corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Sebastião Reis Júnior, sustenta que a interrupção repentina dos atendimentos projeta instabilidade sobre a votação.

A defesa eleitoral do petista afirmou no documento que a decisão diplomática seria parte de uma ingerência externa articulada pelos irmãos Flávio e Eduardo Bolsonaro junto a autoridades norte-americanas. A apuração em andamento no tribunal reúne frentes comunicacional, institucional e diplomática sobre o pleito.

O governo dos Estados Unidos suspendeu os atendimentos presenciais na embaixada em Brasília e nas unidades consulares alegando preocupações com segurança após alertas de ameaças digitais. Pelo mesmo motivo, a embaixada da Austrália na capital federal também manteve as portas fechadas nesta sexta-feira.

Em resposta a informes de inteligência compartilhados pelo governo norte-americano, a Polícia Federal cumpriu dois mandados de busca e apreensão em São Paulo e em Águas Lindas (GO). Os agentes apreenderam computadores e celulares de dois alvos, mas a corporação informou que não encontrou até o momento indícios que comprovem riscos concretos ou ligação dos suspeitos com o crime organizado.

Para embasar a solicitação, os advogados de Lula anexaram uma carta enviada pelos senadores norte-americanos Jeanne Shaheen, Tim Kaine e Peter Welch ao secretário de Estado, Marco Rubio. No texto, os parlamentares manifestam apreensão com declarações, sanções e medidas da gestão de Donald Trump direcionadas ao cenário político brasileiro.