ITALO NOGUEIRA, JOÃO PEDRO PITOMBO, JORGE COSME, GABRIEL ARAÚJO, CATARINA SCORTECCI E CARLOS VILLELA
RIO DE JANEIRO, RJ, SALVADOR, BA, RECIFE, PE, BELO HORIZONTE, MG, CURITIBA, PR E PORTO ALEGRE, RS (FOLHAPRESS)
Candidatos ao governo nos estados oscilam entre pegar carona na onda antibets e criticar o timing do presidente Lula (PT) para a área. O petista assinou na sexta-feira (25), a uma semana do primeiro turno, uma medida provisória para tornar ilegais as apostas online.
No Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD) disse que pretende extinguir a Loterj (Loteria do Estado do Rio de Janeiro).
O candidato aproveitou o tema para criticar a atuação do ex-governador Cláudio Castro (PL), cuja gestão credenciou plataformas de apostas esportivas por meio da companhia pública, driblando a regulamentação feita pelo governo federal.
"O governo Cláudio Castro transformou o Rio de Janeiro no paraíso das bets no Brasil. Ele transformou a Loterj num balcão de credenciamento de apostas. Virou rota de fuga de bet que queria fugir da regulamentação federal", disse Paes.
O ex-prefeito afirmou ainda que a Loterj foi usada para enriquecimento do grupo político representado por seu adversário Douglas Ruas. O presidente da Alerj, candidato pelo PL ao governo, não havia se manifestado sobre o tema.
Em Pernambuco, a governadora Raquel Lyra (PSD) reuniu-se na segunda-feira (28) com a chefia da Federação Pernambucana de Futebol e representantes dos clubes.
Ela anunciou a criação imediata de um grupo de trabalho e apresentou proposta de uma linha específica de apoio financeiro aos times. "O futebol pernambucano é maior que as bets, e o Governo de Pernambuco vai ajudar os clubes", afirmou.
"É muito importante ver que o presidente Lula também está encampando esta luta", disse Raquel, que, apesar de fazer acenos ao petista em atos de rua, não o citava em publicações nas redes sociais.
O adversário João Campos (PSB), quando era prefeito do Recife, em maio de 2025, reduziu de 5% para 2% a alíquota do ISS (Imposto Sobre Serviços) para as casas de apostas online.
Na última sexta-feira (25), dia em que o presidente Lula fez ato com João Campos no Recife, Raquel foi às redes sociais comentar a decisão de proibir as bets no país.
João Campos também se declarou contrário às bets e a qualquer tipo de jogo de azar. No ato com Lula, segurou um cartaz com a frase "fim das bets". Sobre a lei de redução de imposto, o ex-prefeito do Recife definiu a medida como adequação obrigatória à legislação do país.
No Ceará, o candidato a governador Ciro Gomes (PSDB) afirmou ser favorável à proibição das bets no Brasil, mas criticou a condução do tema pelo governo Lula e defendeu a adoção de regras de transição.
Antes mesmo da decisão do governo federal, Ciro já tinha tratado do tema em suas redes sociais: "Essas bets estão produzindo suicídio em massa, é uma coisa chocante. É uma tragédia que se produziu no Brasil. Eu não sei como pode um país ser tão apodrecido como nossa República está apodrecendo."
O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, celebrou a decisão do presidente Lula e disse que as bets provocam malefícios às famílias: "O salário que some antes do fim do mês, a dívida que só cresce, o jovem que troca o sonho pela aposta."
No primeiro semestre, o petista chegou a encaminhar para a Assembleia Legislativa um projeto para criação da Loteba, uma loteria estadual, mas depois retirou a proposta de tramitação.
Em Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), também candidato a governador, não tem citado o tema na campanha, mas possui um histórico de críticas às apostas virtuais. Neste mês, ele chegou a chamar as bets de porcaria em sabatina.
Foi o senador que, em 2025, pediu para tirar uma selfie com a influenciadora Virginia Fonseca durante a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) das Bets e, na ocasião, solicitou que ela parasse de divulgar esses jogos.
Ele se disse arrependido do episódio e, em maio do ano passado, apresentou um projeto de lei que criminalizaria o funcionamento e a publicidade de sistemas de apostas virtuais ilegais. A tramitação do PL ainda não avançou.
Seu adversário Patrus Ananias (PT) comemorou a medida, e classificou a proibição como "um novo começo para milhares de famílias brasileiras".
No fim de agosto, o governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), assinou um decreto que proíbe a publicidade das bets em equipamentos do governo e estádios concedidos à iniciativa privada, caso do Mineirão, lar do Cruzeiro.
No Paraná, apenas Requião Filho (PDT) inseriu o tema das bets na campanha. "Tem família do Paraná perdendo o salário do mês dentro do celular. É pai que aposta o dinheiro do mercado. É jovem que se afunda em dívida. É mãe que já não sabe o que fazer. Isso não é diversão. É doença, é dívida, é família destruída", disse, em vídeo, o candidato ao governo estadual.
Os candidatos Sergio Moro (PL) e Sandro Alex (PSD) não levaram o tema para as suas campanhas. Mas, em agosto, durante sabatina da Folha/UOL, eles foram questionados se eram "a favor ou contra as bets". Ambos responderam que eram contra.
No Rio Grande do Sul, o deputado federal Luciano Zucco (PL) disse ser contrário às bets, mas classificou a medida provisória como um "claro ato de desespero eleitoral" e afirmou que a iniciativa pode gerar insegurança jurídica sem oferecer uma solução definitiva para o problema.
"Foi o governo Lula que tirou da ilegalidade o cassino online e o Tigrinho. O resultado está aí: famílias endividadas. Arrecadou bilhões com a liberação e agora, perto da eleição, edita uma medida provisória que pode caducar em quatro meses", escreveu ele, em nota.
Juliana Brizola (PDT) publicou um vídeo defendendo a medida. "São estudantes que desistiram da faculdade por acumular dívidas em apostas, são famílias de baixa renda ficando endividadas".
Marcelo Maranata (PSDB) colocou o tema na campanha. "A família está endividada, quem está sustentando a casa é a mulher. Muitas vezes, os homens estão gastando o dinheiro da família nas bets", disse em vídeo nas redes sociais.