GABRIEL ARAÚJO
BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS)
O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), 44, foi eleito neste domingo (4) governador de Minas Gerais.
Com 94,16% das urnas apuradas, ele tinha 55,34% dos votos válidos. O deputado federal Patrus Ananias (PT), 74, aparecia em segundo lugar, com 26,20%.
Cleitinho liderou com folga as pesquisas do começo ao fim do período eleitoral do primeiro turno. Seu nome figurava na liderança das simulações mesmo durante a pré-campanha, marcada pelas idas e vindas da candidatura do senador.
No início de agosto, ele chegou a publicar um vídeo afirmando que não iria concorrer e justificou a decisão citando o luto pela morte do irmão.
No dia seguinte, o senador interrompeu uma convenção nacional do Republicanos para tentar salvar a candidatura e o presidente da sigla o repreendeu publicamente. O partido recuou e acabou oficializando chapa na disputa no prazo final estabelecido pela Justiça Eleitoral.
Segundo a avaliação de especialistas, esse vaivém colaborou para amplificar o alcance digital massivo que o candidato já apresentava.
Na noite deste domingo, Cleitinho postou uma peça nas redes sociais agradecendo e comemorando a vitória. "De verdureiro a governador. Só Deus e vocês para fazerem isso acontecer", escreveu. "Agora a eleição acabou. Vou governar para todos, para quem votou em mim e para quem não votou."
Durante a campanha, Cleitinho concentrou agendas no interior de Minas Gerais e apostou na mobilização digital a partir da transmissão de lives nas redes sociais e de vídeos amplificados pelo engajamento massivo do candidato nas plataformas.
Apesar de não compor oficialmente o palanque de Flávio Bolsonaro (PL) no estado -a indefinição fez com que o PL lançasse o empresário Flávio Roscoe ao pleito-, Cleitinho declarou publicamente seu apoio ao presidenciável em mais de uma ocasião.
A campanha de Flávio Bolsonaro conta com campeões de votos eleitos neste domingo para impulsioná-lo no segundo turno contra Lula. Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, é um desses pontos focais. Cleitinho e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL), recordista de votação, devem ter papel importante na campanha de Flávio para a segunda etapa da votação.
Ainda que o governador eleito não seja o maior entusiasta de Flávio, correligionários do presidenciável afirmam que a situação de Minas reflete o quadro geral do país, com uma disputa polarizada entre bolsonarismo e petismo.
Em debates, contudo, Cleitinho reforçou um tom conciliador, afirmando que pretende governar para acabar com a polarização. "Eu sou de direita, mas meu coração é para todos", disse em encontro realizado pela Globo na última terça-feira (29).
Natural de Divinópolis (MG), Cleitinho foi eleito senador por Minas Gerais em 2022, com 41,52% dos votos válidos. Antes de entrar para a política, ele atuou como verdureiro e músico.
Na última semana, ele fez campanha em Belo Horizonte, em encontros com eleitores eventualmente transmitidos em suas redes sociais.
Na última segunda-feira (28), na capital mineira, o candidato visitou o Ceasa Minas (Centrais de Abastecimento de Minas Gerais S.A.). Segundo Cleitinho, foi ali que ele iniciou sua história de trabalho, atuando no comércio de hortifrúti ao lado do pai e dos irmãos.
A origem humilde e o discurso antissistema, de "menos Estado e mais povo", como costuma dizer, marcaram a retórica de campanha.
Candidato de última hora, por sua vez, o nome de Patrus foi apresentado como uma opção consensual para o pleito após sucessivas recusas em torno da formação do palanque do presidente Lula (PT) em Minas.
No fim de maio, Rodrigo Pacheco (PSB), então favorito ao pleito, anunciou que não concorreria. Já em junho, Marília Campos, a ex-prefeita de Contagem também cotada, demonstrou resistência ao convite do PT e fez críticas a uma candidatura própria do partido, mantendo seu nome na corrida ao Senado.
Na campanha, Patrus frequentemente ressaltou sua experiência de gestão à frente da Prefeitura de Belo Horizonte na década de 1990 e no comando do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, durante o primeiro mandato de Lula.
Na reta final de campanha, candidatos alinhados à direita, como o atual governador, Mateus Simões (PSD), e Roscoe apostaram em estratégias semelhantes para tentar conquistar uma vaga num eventual segundo turno, que não acontecerá.
Eles ora recorreram ao antipetismo simbolizado pela rejeição ao ex-governador Fernando Pimentel (PT), acusado de tráfico de influência e lavagem de dinheiro e depois absolvido, ora destacaram a inexperiência do senador do Republicanos em cargos de gestão.
Em entrevista a uma rádio mineira, o candidato do PSD citou a recente crise envolvendo o STF (Supremo Tribunal Federal) e afirmou que Cleitinho deveria voltar ao Senado para colaborar em possível processo de deposição do ministro Alexandre de Moraes.
Também disputaram a eleição Alexandre Kalil (PDT), Flávio Roscoe (PL), Gabriel Azevedo (MDB), Ben Mendes (Missão), Rafael Duda (PSTU), Henrique Áreas (PCO) e Indira Xavier (UP).