A derrota histórica do presidente Donald Trump nas eleições de meio de mandato para os democratas provocou abalos em outra disputa nos Estados Unidos: a corrida pela sucessão na Casa Branca em 2028.
A esmagadora derrota dos republicanos é especialmente dolorosa para o vice-presidente JD Vance, que até agora era apontado como o favorito na disputa.
Agora, Vance corre o risco de ser visto como alguém preso ao seu chefe, um presidente em fim de mandato.
As eleições legislativas são consideradas uma possível plataforma para as estrelas em ascensão dos democratas, como o senador da Geórgia Jon Ossoff, que já despertou comparações com o ex-presidente Barack Obama.
Republicanos em crise
A coalizão MAGA que catapultou Trump ao poder em 2016 e 2024 desmoronou, na prática, nas eleições de meio de mandato de terça-feira, o que deixa qualquer suposto herdeiro republicano diante de um grande desafio.
Considerado há muito tempo o grande favorito para a indicação republicana em 2028, Vance é a vítima mais evidente, depois de investir seu capital político em Trump durante toda a campanha das legislativas, com comícios nos estados-pêndulo.
O ambicioso político de 42 anos tentou rapidamente se distanciar do desastre eleitoral, culpando a impopular guerra de Trump no Irã em uma longa mensagem publicada no X na quarta-feira.
Mas é provável que os eleitores rejeitem suas tentativas de se desvincular de Trump. Este é um desafio conhecido para os vice-presidentes dos Estados Unidos.
A ex-candidata democrata e ex-vice-presidente Kamala Harris enfrentou um problema similar em 2024, quando disse que "não há nada que me venha à cabeça" ao ser questionada sobre como se diferenciava de Joe Biden.
"As más notícias para Vance são que vice-presidentes em exercício raramente vencem a presidência", disse James Lindsay, do Council on Foreign Relations.
Outro nome muito citado pelos republicanos é o do secretário de Estado, Marco Rubio.
Rubio, de 55 anos, manteve uma postura muito mais discreta durante as legislativas, mas qualquer funcionário de alto escalão do governo Trump terá dificuldades ao tentar desvincular-se da guerra no Irã.
O desastre republicano nas legislativas pode, no entanto, significar um impulso para outros possíveis candidatos.
O governador da Flórida, Ron DeSantis, de 48 anos, que disputou com Trump a indicação republicana em 2024, tornou-se repentinamente muito loquaz.
Ele descreveu a vitória esmagadora democrata como "o equivalente político à queda de um meteorito" e disse que apenas em seu estado os republicanos conseguiram conter a oposição.
O senador pelo Texas Ted Cruz, de 55 anos, também deixou a porta aberta, depois de ter enfrentado Trump em 2016. Mas suas possibilidades podem ser prejudicadas pelas surpreendentes vitórias democratas ao Senado e ao governo estadual nas legislativas.
Democratas em alta
O campo democrata está lotado, mas as legislativas deram impulso a alguns possíveis candidatos.
A reeleição de Ossoff como senador pela Geórgia alimentou as especulações sobre uma candidatura em 2028, considerado um grande orador. Ele já havia chamado a atenção ao ironizar a relação de Trump com uma jovem assessora.
O político, de 39 anos, afirmou que não tem "nenhum interesse em concorrer à presidência". Porém, sua vitória contundente na Geórgia, assim como seu discurso de vitória, reforçaram seu status dentro do partido.
Antes das legislativas, Kamala Harris, de 62 anos, era a favorita para a indicação, mas muitos no partido preferem alguém sem um histórico de derrotas.
O governador da Califórnia em fim de mandato, Gavin Newsom, de 59 anos, é outro nome de peso que bateu de frente com Trump diversas vezes.
A presidência de Trump "tal como a conhecemos terminará depois das legislativas", previu ele em uma entrevista à AFP em setembro.
Mas Newsom, assim como Kamala, pode ser visto mais como uma figura do velho aparato em um partido que busca estrelas emergentes.
Uma opção de destaque, mas potencialmente divisiva, seria a congressista nova-iorquina Alexandria Ocasio-Cortez.
A política de esquerda declarou em setembro que estava avaliando uma candidatura, mas ainda reflete se uma latina poderia vencer em um país que rejeitou candidatas mulheres em 2016 e 2024.
AFP