SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
O dólar abriu em alta nesta sexta-feira (4), conforme investidores repercutem dados do relatório do mercado de trabalho dos EUA "payroll" mais forte do que o esperado.
Os resultados fortalecem a perspectiva da economia americana acelerada, o que reforça a perspectiva de alta de juros no país pelo Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA).
Por volta das 9h50, a moeda americana subia 0,38%, a R$ 5,124. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a outras seis divisas de peso, também avançava, a 0,22%.
A economia dos EUA abriu 162 mil vagas de trabalho fora do setor agrícola no mês passado, após abertura de 21 mil em julho em dado revisado para coma, informou o Escritório de Estatísticas do
Trabalho do Ministério do Trabalho em seu relatório de emprego nesta sexta. Economistas consultados pela Bloomberg esperavam a abertura de 55 mil vagas no mês. A taxa de desemprego se manteve em 4,1%, indicando um mercado de trabalho ainda estável.
O dado reforça a expectativa por uma alta na taxa de juros norte-americana na reunião de 15 e 16 de setembro.
Uma postura mais restritiva do Fed tende a desvalorizar ativos de risco e impulsionar o dólar e os Treasuries, títulos do Tesouro americano o que acontece no pregão desta sexta.
O cenário eleitoral também está em destaque. A pesquisa Datafolha divulgada na véspera à noite mostra o presidente Lula (PT) tem 38% das intenções de voto no primeiro turno, ante 33% de Flávio Bolsonaro (PL). No levantamento anterior, há duas semanas, o petista tinha 39% e o senador do PL 33% na simulação de primeiro turno.
No segundo turno, o presidente supera numericamente o filho do antecessor Jair Bolsonaro por 46% a 44%, um empate técnico pela margem de erro do levantamento, de dois pontos para mais ou menos.
No cenário de segundo turno há duas semanas, Lula tinha 47%, ante 43% de Flávio.
Os ativos domésticos têm sido impulsionados pelo cenário eleitoral nos últimos pregões. O movimento reflete o aumento da percepção, entre investidores, de uma possível alternância de poder nas eleições.
Na Quest, o presidente Lula (PT) registrou 37% das intenções de voto no primeiro turno das eleições de 2026, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 30%, segundo pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (2).
Trata-se do primeiro levantamento nacional feito pelo instituto após o início oficial da campanha eleitoral.
O cenário é de relativa estabilidade em relação à rodada anterior, divulgada em 14 de agosto, quando o petista tinha 38% das intenções de voto, ante 31% do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
No segundo turno, Lula aparece com 42% das intenções de voto, ante 41% de Flávio Bolsonaro, em cenário de empate técnico. Em 14 de agosto, os dois também apareciam tecnicamente empatados, com 43% e 40%, respectivamente.
O resultado se somou a outras pesquisas que apontam um estreitamento da diferença entre os líderes da disputa.
Analistas avaliam que Flávio Bolsonaro tem um perfil mais alinhado à disciplina fiscal do que o atual presidente.
Segundo Leonel Oliveira Matos, analista de inteligência de mercados da StoneX, existe uma preferência entre os investidores pela alternância de governo.
"Há a percepção de que um novo governo poderia ser mais conservador fiscalmente. Por isso, essa recuperação da competitividade de Flávio Bolsonaro aumenta as esperanças de uma vitória dele nas eleições de outubro, diminui a percepção de risco dos ativos nacionais e favorece o fortalecimento da moeda brasileira", diz.
O exterior também permaneceu no radar dos investidores. Nesta quinta-feira, o diretor do Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA), Christopher Waller, afirmou que pode defender a manutenção dos juros neste mês caso a inflação americana dê sinais de recuo. A próxima reunião da instituição será em 15 e 16 de setembro.
"Minha decisão sobre a postura adequada da política monetária será fortemente influenciada pelo que soubermos sobre a inflação de agosto", disse Waller em evento.
A sinalização contrasta com a do presidente do Fed, Kevin Warsh, que afirmou na última semana, em Jackson Hole, que o banco central terá trabalho a fazer caso a inflação americana não retorne à meta de 2%.
Para Nicolas Gomes, analista de câmbio da Manchester Investimentos, as declarações de Waller reduziram parcialmente as expectativas de alta dos juros americanos.
Antes da decisão do Fed, os investidores terão pela frente o Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) de agosto, em 11 de setembro.
Em paralelo, o regime do Irã chamou os Estados Unidos de Satã na quarta, após acusar as forças americanas de matar cinco pessoas, entre elas uma criança, durante uma festa de casamento no sul do país. Autoridades de Washington não confirmam envolvimento de seus militares no ataque.
Na terça, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que qualquer acordo assinado com o Irã "não vale o papel no qual é escrito" e que Washington deu "muitas chances" a Teerã para que a guerra acabasse.
O conflito voltou a escalar após os EUA atacarem dois lançadores iranianos na ilha de Larak, no estreito de Hormuz, no final de semana. A intensificação das hostilidades aumenta os riscos para o fluxo de petróleo na região, pressiona as cotações da commodity e pode ampliar as pressões inflacionárias.