O governo dos Estados Unidos desenvolveu planos de ataque ao Irã que incluem o possível uso da maior bomba não nuclear do arsenal norte-americano, a GBU-43/B Massive Ordnance Air Blast (MOAB), conhecida como "mãe de todas as bombas". Caso o presidente Donald Trump ordene a retomada dos combates, o artefato seria considerado para atingir infraestrutura energética e instalações nucleares iranianas, conforme revelado pela CNN nesta quinta-feira (15/10) e citado por várias fontes do governo.
A possível utilização da bomba de 9,8 toneladas representaria uma escalada notável em um conflito que começou em fevereiro e vive um cessar-fogo tenso desde abril. Os planos militares foram elaborados a pedido de Trump, que ordenou a formulação de novas opções de ataque, voltadas em grande parte para o setor energético do Irã.
Entre os alvos potenciais está a montanha Pickaxe (Kuh-e Kolang), um complexo subterrâneo na região central do Irã onde os EUA e Israel suspeitam que componentes do programa nuclear iraniano estejam armazenados. Autoridades ouvidas pela emissora norte-americana, no entanto, expressam sérias dúvidas sobre a eficácia da MOAB contra alvos fortificados.
A bomba, projetada para detonar antes do impacto e devastar uma área equivalente a nove quarteirões, não possui capacidade de penetração profunda no solo. Por isso, dificilmente destruiria instalações protegidas por camadas de granito, como a da montanha Pickaxe. "A MOAB serve para limpar grandes áreas, mas não para muito mais", afirmou uma fonte familiarizada com os planos à CNN.
Além das limitações técnicas, há preocupações com a possibilidade de vítimas civis devido ao enorme raio de explosão do artefato. Alguns oficiais e analistas veem seu uso mais como uma ferramenta de impacto psicológico contra o regime de Teerã do que como uma opção militar decisiva. "Se for usada, a MOAB teria efeitos devastadores na área de impacto, mas provavelmente apenas superficialmente", advertiram fontes.
O debate ocorre em um contexto de forte pressão política interna sobre Trump, às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato nos EUA, marcadas para 3 de novembro. A guerra contra o Irã é considerada impopular e tem sido apontada como um fator que prejudica os republicanos nas pesquisas.
Autoridades sugeriram que os ataques com a superbomba poderiam ocorrer antes da retirada formal das tropas norte-americanas da área de responsabilidade do Comando Central dos EUA (Centcom), permitindo ao governo declarar vitória e deslocar o efetivo. Em declarações públicas recentes, Trump adotou um tom otimista, afirmando que o conflito "terminará muito em breve".
Procurada para comentar, a Casa Branca afirmou que não comenta planos militares sensíveis, mas reiterou que "o presidente Trump mantém todas as opções sobre a mesa para garantir que o Irã nunca possa ter uma arma nuclear". O Pentágono declarou que se prepara para uma ampla variedade de cenários.
A MOAB foi usada em combate uma única vez, em 2017, durante o primeiro mandato de Trump, contra redes de túneis do grupo Estado Islâmico no Afeganistão.