O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou nesta segunda-feira (2) que o país examina um plano para reabrir o Estreito de Ormuz em dois dias, e não em uma semana como na proposta anterior, se o governo dos Estados Unidos aceitar suas condições.

A rota crucial para o trânsito de hidrocarbonetos, bloqueada por Teerã desde o início da guerra, é um dos principais focos de tensão com Washington e cenário habitual de ataques entre  as partes.

"A possibilidade de implementar este plano em dois dias é mais uma demonstração da postura de boa-fé do Irã", afirmou Esmaeil Baqaei.

"Se as demandas do Irã forem atendidas, será possível restaurar a segurança no Estreito de Ormuz e retomar o processo de negociação em um prazo de tempo muito curto", acrescentou.

O porta-voz ressaltou que "a troca de mensagens (com os Estados Unidos) continua" por meio de mediadores e que "tudo depende" de Washington aceitar seus pedidos. "Só então poderemos falar das etapas posteriores", disse.

Desde o início da guerra, deflagrada pelos ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã em 28 de fevereiro, Teerã reivindica o controle de Ormuz e ataca com frequência navios que tentam atravessar a via sem a sua autorização.

Em setembro, o Irã havia apresentado, por meio do Catar, um plano para reabrir o Estreito de Ormuz seis dias após o governo dos Estados Unidos responder às suas demandas.

Entre as exigências estavam um cessar-fogo regional, a liberação dos ativos iranianos no exterior, o fim das sanções contra o setor de petróleo iraniano e o fim do bloqueio americano aos seus portos.

Os mesmos pontos já apareciam no protocolo de acordo de junho, alcançado após um primeiro cessar-fogo em vigor desde abril.

O cessar-fogo foi interrompido pouco depois e os ataques foram retomados.

No domingo, o chanceler iraniano Abbas Araghchi completou as demandas do Irã em uma entrevista ao canal Al Jazeera. Ele disse que Washington deveria aceitar "o novo itinerário acordado entre Irã e Omã para o trânsito" de navios pelo Estreito de Ormuz.

Ele mencionou ainda, entre as demandas, uma redução da presença militar americana no Oriente Médio.

Embora a frente militar tenha se acalmado desde setembro, Estados Unidos e Israel, ambos imersos em processos eleitorais, ameaçaram retomar os ataques contra o Irã.

"Qualquer ato de agressão contra o Irã (...) receberá uma resposta contundente, imediata e global da nossa parte", declarou o porta-voz da diplomacia iraniana nesta segunda-feira.

No domingo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reiterou a ameaça de retomar os ataques contra o Irã. No sábado, ele declarou que seu país havia destruído grande parte das capacidades militares do Irã, mas que ainda precisava lidar com "um ou dois" objetivos.

"A única razão pela qual ainda não acabei com o Irã é porque quero ser gentil. Quero tentar salvar todas estas vidas, se puder", afirmou no domingo em um comício em Iowa, antes das eleições de meio de mandato de terça-feira.

"Mas em algum momento teremos que dar um golpe contundente neles", insistiu.

AFP