Eu estava no meio de uma reunião, café de um lado, planilha do outro, quando chegou a novidade e eu parei. Porque o Kwai resolveu fazer uma coisa que o mercado adora: pegar audiência, transformar em propriedade intelectual e depois colocar etiqueta de preço.

O Kwai estreia em setembro o KCL, sigla para Kwai Content Licensing. Na prática, a nova operação do Kwai for Business permitirá que marcas licenciem conteúdos originais do TeleKwai, braço de mininovelas da plataforma, e utilizem essas produções em suas próprias estratégias de marketing e comunicação.

Com 60 milhões de usuários ativos mensais no Brasil, segundo dados da própria plataforma, o Kwai abre uma nova frente de monetização baseada no licenciamento de suas produções originais.

E aqui começa a parte que fez minha sobrancelha financeira subir. O licenciamento será não exclusivo. Isso significa que um mesmo conteúdo poderá ser contratado simultaneamente por diferentes empresas. A cobrança será feita em pagamento único, sem divisão posterior de receita, e a marca poderá explorar o material em canais digitais, incluindo redes sociais, durante até três meses.

É praticamente o aluguel por temporada da propriedade intelectual. A empresa não precisa bancar roteiro, elenco, gravação e edição do zero. Entra, escolhe uma narrativa que já circulou dentro do ecossistema do Kwai, licencia e incorpora aquilo à comunicação da marca.

Inicialmente, o catálogo comercial será formado por episódios únicos das mininovelas do TeleKwai. A companhia afirma que pretende ampliar futuramente o licenciamento para outros tipos de conteúdo. A estratégia transforma uma produção criada originalmente para conquistar audiência em mais um ativo comercial do Kwai for Business, que já trabalha com publicidade, branded content e live commerce.

E existe escala para essa conversa ficar interessante. Segundo números divulgados pelo próprio Kwai, a plataforma reúne 60 milhões de usuários ativos mensais no Brasil, com tempo médio diário de uso de 75 minutos. É justamente essa audiência que ajuda a explicar por que a empresa resolveu olhar para suas novelas verticais e enxergar também uma prateleira comercial.

Renan Kfouri, do Kwai for Business, explica a nova estratégia que permitirá às marcas utilizar narrativas do TeleKwai em seus próprios canais digitais por até três meses.

“Estamos transformando conteúdos que nasceram para engajar nossa comunidade em oportunidades concretas para as marcas”, afirma Renan Kfouri, head de indústria, varejo e e-commerce do Kwai for Business. Segundo o executivo, a proposta é permitir que anunciantes se associem a formatos e narrativas que já estabeleceram conexão com o público.

Eu acompanho esse mercado e sei reconhecer quando a plataforma começa a espremer mais valor do próprio ecossistema. O Kwai produziu audiência, ajudou a consolidar suas mininovelas e agora quer monetizar também o direito de uso dessas histórias fora do aplicativo. No capitalismo do entretenimento, minha filha, até capítulo de novela ganhou vida de ativo.