O candidato a deputado federal Marivaldo Pereira (PT-DF) foi o convidado do JBr Entrevista desta segunda-feira (14). Durante o encontro transmitido ao vivo, o ex-ministro interino do Ministério da Justiça e Segurança Pública apresentou propostas tendo como eixo central a garantia do direito à moradia digna e a urgência na conquista de direitos trabalhistas para os entregadores e motoristas de aplicativos.

Filho de migrantes e criado por uma mãe diarista na periferia de São Paulo, Marivaldo conectou sua história pessoal às principais carências do Distrito Federal, ressaltando que sua atuação política é guiada pela superação da precarização social e pela defesa da classe trabalhadora.

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A luta por habitação, que marca a trajetória do candidato desde a fundação do projeto Gabinete Cidadão em Planaltina, foi apontada por ele como a principal prioridade legislativa e administrativa para a capital federal. Marivaldo relembrou que seu compromisso com a causa nasceu da própria vivência na periferia e do trabalho junto aos movimentos sociais durante a faculdade de Direito na USP.

“Como eu cresci numa favela, eu vivia sob constante ameaça de despejo, e eu decidi fazer Direito pra entender esses processos judiciais. Durante a faculdade, passei o curso inteiro auxiliando os movimentos de moradia do centro de São Paulo, tentando evitar despejos. Consegui evitar o despejo de famílias de um prédio, fazer com que a Caixa Econômica comprasse aquele prédio e transformasse em habitação popular. Foi essa experiência que me trouxe de volta a Brasília em 2005”, contou.

Candidato pela terceira vez – Senado (2018) e Câmara Legislativa (2022), ambas pelo PSol –, o postulante defende a realização do maior programa de regularização fundiária da história local para combater a grilagem e proteger famílias vulneráveis, declarando. “A minha principal proposta é promover o maior programa de regularização fundiária da história do DF. A maioria da população hoje não tem o documento das suas casas, e isso as sujeita a toda sorte de abusos, seja por parte do governo, seja por parte de grileiros. Nós precisamos regularizar a casa para quem já tem direito, seja por compra ou usucapião.”

Além da regularização de moradias, Marivaldo defendeu, ainda, que o governo local volte a manter diálogo com o Palácio do Planalto. “O Governo do Distrito Federal precisa voltar a conversar com o governo federal. É inconcebível a atitude de não conversar com o governo federal para trazer investimentos do Minha Casa, Minha Vida em maior volume e enfrentar o déficit habitacional.”

Trabalhadores por aplicativo

Paralelamente à pauta urbana, Marivaldo deu ênfase à necessidade de regulamentar o trabalho intermediado por plataformas digitais, alertando para a vulnerabilidade dos trabalhadores que usam aplicativos para sustentar suas famílias sem ter direito a garantias básicas. O candidato cobrou a intervenção imediata do Estado na fixação de regras protetivas para a categoria.

“Nós estamos criando uma bomba-relógio. O Estado tem que entrar prevendo uma legislação que garanta um preço mínimo por quilômetro rodado, seguro em caso de acidente e o recolhimento da Previdência para os trabalhadores de aplicativo.”

A defesa desse setor conecta-se também com sua posição favorável ao fim da jornada na escala 6x1, pauta que considera decisiva para a dignidade do trabalhador e cuja aprovação no Congresso depende, em sua avaliação, da mobilização popular nas urnas. “A decisão sobre a aprovação ou não do fim da escala 6x1 está nas mãos da população do DF. O fim da escala é um grande objetivo e uma das mudanças mais importantes da história que vamos alcançar para a classe trabalhadora”, completou o petista.

Segurança e saúde

Calcanhar de Aquiles da esquerda no diálogo com a sociedade, o ex-ministro defendeu uma reformulação na segurança pública baseada em inteligência, câmeras corporais e na revisão do rígido regime disciplinar aplicado aos soldados de base da PM, afirmando que “a corporação tem que ter um rigor muito grande com esses policiais” que violam a lei, sem que isso represente defender o fim da instituição, mas sim a criação de protocolos que protejam tanto a população quanto os próprios agentes.

O candidato defendeu ainda que os agentes de segurança tenham em sua proteção pessoal a principal ação do Estado a seu favor. “Na ação do Rio de Janeiro, cinco policiais, não passaram o natal e o ano novo com suas família, porque perderam a vida em uma ação que depois foi comemorada por políticos.”

Por fim, Marivaldo criticou a gestão da saúde do DF por meio de institutos e defendeu a recomposição do quadro de servidores efetivos, além de elogiar a autonomia e a atuação recente da Polícia Federal na elucidação de crimes financeiros e no combate ao crime organizado no cenário nacional.

Marivaldo Pereira é o convidado do JBr Entrevista