Netinho, um dos grandes nomes do axé music, morreu nesta terça-feira (13), aos 60 anos, em Salvador. O cantor enfrentava um câncer do sistema linfático havia mais de um ano. Até o momento, não foram divulgadas informações sobre velório e sepultamento.

Eu ainda estava na varanda da hospedagem em Sintra quando a notícia me alcançou, e aí não existe comentário esperto que dê conta, minhas filhas. Tem artista que vira trilha sonora de uma época inteira, e Netinho era desses que bastava entrar “Mila” para o Brasil inteiro se achar dono de um refrão.

Cantor se tornou um dos principais nomes do axé music com hits como “Mila” e “Beijo na Boca”

O artista revelou o diagnóstico em março de 2025, depois de ser internado com fortes dores nas pernas no Hospital Aliança Star, em Salvador. Durante o tratamento, compartilhou etapas da luta nas redes sociais, inclusive o momento em que raspou o cabelo.

Netinho nasceu em Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo Baiano, e se mudou ainda criança para Salvador. Aos 14 anos, ganhou o primeiro violão da mãe; aos 16, entrou na faculdade de Engenharia Civil, enquanto já fazia shows em escolas e bares. A vida, porém, tinha outro plano: colocar aquele menino no centro do Carnaval e do país.

Em 1988, ele estreou como vocalista da Banda Beijo e estourou com “Beijo na Boca”. Depois vieram “Barracos”, “A Vida é Festa”, “Estrela Primeira” e, claro, “Mila”, lançada em 1996 e eternizada como um dos maiores símbolos do axé. Eu fechei os olhos e já ouvi Salvador inteira cantando, porque essa música não envelhece: ela simplesmente aparece e toma conta.

O cantor também viveu momentos difíceis antes do câncer. Em 2013, sofreu três AVCs, perdeu a voz temporariamente e ficou quatro anos afastado do Carnaval. Voltou a cantar e seguiu construindo uma carreira que não se resumiu ao palco: abriu um estúdio no Rio de Janeiro e recebeu nomes como Gilberto Gil, Maria Bethânia, Milton Nascimento, Laura Pausini e Lenny Kravitz.

A trajetória de Netinho teve ainda incursão na política, quando concorreu a deputado federal pelo PL em 2022, sem se eleger. Mas, para o público que o acompanhou por décadas, fica mesmo a lembrança do cantor que ajudou a espalhar o axé pelo mundo e fez do Carnaval uma espécie de estado de espírito.

Durante o tratamento, Netinho compartilhou com os fãs etapas da luta contra o câncer

Eu entrei de volta no quarto sem pressa, deixando a vista da serra lá fora por um minuto. Hoje, “Mila” vai tocar diferente em muita casa, muito bar e muita memória. E é assim que um artista permanece: quando a voz para, mas a música continua cantando por ele.