A morte do leiloeiro público Rogério Menezes Nunes, em 22 de outubro de 2026, abriu um capítulo de disputas familiares, questionamentos patrimoniais e acusações que ultrapassam os limites de uma separação conjugal. No centro da controvérsia estão Elaine Menezes, ex-companheira do empresário, e Juliana de Andrade Souza, apontada por Elaine como a mulher com quem Rogério teria mantido um relacionamento extraconjugal.
Em entrevista publicada pela coluna de Fábia Oliveira, do Metrópoles, em 27 de outubro, Elaine apresentou uma série de relatos sobre os últimos anos de vida do leiloeiro. Entre eles estão a descoberta de uma suposta traição, uma cerimônia que teria custado aproximadamente R$ 800 mil, dificuldades para participar da despedida do ex-marido e suspeitas que pretende esclarecer sobre a administração dos negócios após a morte dele.
O caso também envolve os cinco filhos de Rogério, sua mãe, Dirce Menezes, de 86 anos, e uma movimentação judicial registrada no mesmo dia do falecimento. As declarações de Elaine, entretanto, precisam ser diferenciadas dos fatos documentalmente demonstrados. Parte das informações apresentadas pela ex-companheira ainda depende de comprovação.
A viúvia relata que a descoberta de um suposto relacionamento extraconjugal envolvendo Rogério e Juliana de Andrade Souza foi acompanhada de conflitos pessoais, judiciais e patrimoniais.Uma carreira construída desde os 25 anos
Rogério Menezes Nunes iniciou sua trajetória como leiloeiro público oficial em 1989, quando tinha 25 anos. Registrado na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro (Jucerja) sob a matrícula 053/89, construiu uma carreira que atravessou décadas.
Sua atuação envolvia leilões de veículos, máquinas, equipamentos, imóveis e outros bens, com atendimento a instituições financeiras, seguradoras, empresas privadas e órgãos públicos.
Elaine afirma que participou diretamente da construção dessa trajetória profissional, exercendo funções executivas na administração das atividades do marido.
Segundo seu relato, a relação entre os dois não se limitava ao casamento. Ela também esteve envolvida nas decisões e dificuldades enfrentadas pelo empresário ao longo da carreira.
A ex-companheira sustenta que sua contribuição profissional não pode ser desconsiderada em meio às disputas surgidas após a morte de Rogério.
Juliana de Andrade Souza e o suposto relacionamento extraconjugal
Um dos pontos mais delicados da entrevista envolve Juliana de Andrade Souza.
Elaine afirma que descobriu um suposto relacionamento extraconjugal entre Juliana e Rogério. Segundo ela, a situação provocou conflitos pessoais, judiciais e patrimoniais que modificaram profundamente a dinâmica familiar.
A ex-companheira também questiona fotografias e publicações atribuídas a Juliana nas quais ela apareceria vestida de branco durante uma cerimônia ao lado do leiloeiro.
Na avaliação de Elaine, essas imagens teriam sido utilizadas para apresentar publicamente a relação como um casamento, embora o processo de divórcio entre ela e Rogério ainda estivesse em discussão judicial.
A circunstância levanta uma questão importante: qual era a situação jurídica do vínculo matrimonial de Rogério no momento da cerimônia?
A resposta exige acesso aos registros civis e aos processos pertinentes. A existência de uma celebração, por si só, não comprova a realização de um casamento civil nem estabelece automaticamente seus efeitos patrimoniais.
Eliane diz que deseja esclarecer a cronologia dos fatos e eventuais repercussões patrimoniais, mas ressalta que as informações ainda dependem de confirmação.Cerimônia de R$ 800 mil entra na disputa
Outro detalhe apresentado por Elaine diz respeito ao custo da celebração atribuída ao relacionamento de Rogério com Juliana.
Ela menciona uma estimativa de R$ 800 mil para o evento e afirma que pretende esclarecer a origem dos recursos utilizados e os valores efetivamente desembolsados.
O montante, entretanto, não foi acompanhado, no material apresentado, de notas fiscais, contratos ou comprovantes que permitam confirmar a despesa.
A dúvida levantada por Elaine está relacionada à eventual utilização de recursos que poderiam integrar o patrimônio do empresário ou estar sujeitos a discussão judicial.
Para que essa hipótese seja confirmada, seria necessário identificar quem contratou os serviços, quem realizou os pagamentos e qual era a origem do dinheiro.
Até o momento, o valor deve ser tratado como uma estimativa mencionada pela ex-companheira, e não como uma despesa comprovada.
Elaine relata dificuldades até para se despedir de Rogério
As divergências familiares teriam alcançado um dos momentos mais delicados da história: a despedida do leiloeiro.
Elaine relata que enfrentou dificuldades para ter acesso ao corpo de Rogério e atribui a Juliana interferências nas providências relacionadas ao velório.
Segundo a ex-companheira, o ambiente de tensão foi determinante para que ela decidisse não comparecer à cerimônia.
Ela afirma que preferiu evitar discussões e situações que, em sua avaliação, poderiam desrespeitar a memória do empresário.
O relato apresenta uma dimensão particularmente sensível do conflito. Elaine sustenta que sua ausência não representou falta de consideração por Rogério, mas uma decisão tomada diante das circunstâncias que descreveu.
Não foram apresentados, nos anexos analisados, documentos ou manifestações independentes que permitam confirmar as alegadas interferências de Juliana.
Uma petição judicial no dia da morte chama a atenção
O caso ganhou outro elemento com a divulgação de uma movimentação processual registrada em 22 de outubro de 2026, data do falecimento de Rogério.
Segundo as informações publicadas pelo Metrópoles, uma petição foi protocolada às 17h48min21s, no evento 55 de uma ação de interdição e curatela.
O processo foi proposto por Juliana de Andrade Souza contra Guilherme Rabello de Moraes e tramita na 2ª Vara de Família da Regional de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro.
O extrato processual mencionado na reportagem identifica a advogada Paula Mayara Mendes da Silva como representante de Juliana.
Elaine questionou a coincidência temporal entre o falecimento de Rogério e a movimentação judicial envolvendo Juliana.
Há, porém, uma distinção fundamental: o registro de uma petição naquela data não demonstra, isoladamente, qualquer irregularidade.
O documento descrito na reportagem não revela o conteúdo da manifestação, sua finalidade ou as razões pelas quais foi protocolada naquele horário.
Portanto, não é possível estabelecer uma relação entre a movimentação processual e a morte do leiloeiro apenas com base na coincidência das datas.
Quem é Guilherme Rabello de Moraes e por que seu nome aparece?
Guilherme Rabello de Moraes aparece como requerido na ação de interdição e curatela apresentada por Juliana.
Elaine afirma ter recebido informações sobre um possível relacionamento entre os dois e diz que pretende esclarecer a cronologia dos acontecimentos.
A própria ex-companheira reconhece, entretanto, que essas informações ainda dependem de confirmação.
O fato de Guilherme figurar como requerido em uma ação judicial não comprova a existência de relacionamento afetivo com Juliana, tampouco permite concluir que tenha participado de qualquer irregularidade patrimonial.
O esclarecimento dependeria de informações verificáveis sobre a relação entre os envolvidos e sobre a natureza da ação judicial.
A mãe de Rogério, de 86 anos, também entra na discussão
A preocupação de Elaine não se restringe às questões conjugais.
Rogério deixou cinco filhos e sua mãe, Dirce Menezes, de 86 anos.
Segundo Elaine, a idosa está fragilizada pela perda do filho e precisa de acompanhamento e proteção.
A ex-companheira também afirma ter dúvidas sobre a existência de um CNPJ registrado em nome de Dirce.
Ela pretende esclarecer a finalidade do eventual registro empresarial, quem seria responsável por sua administração e quais atividades estariam sendo realizadas.
É importante observar que a existência de uma empresa registrada em nome de uma pessoa idosa não caracteriza, por si só, qualquer irregularidade.
Para avaliar a situação, seria necessário consultar os registros empresariais, identificar os responsáveis legais e verificar a existência de autorização para os atos praticados.
Elaine defende que qualquer atividade envolvendo o nome de Dirce seja conduzida com conhecimento, consentimento e transparência.
O que acontece com os leilões depois da morte de Rogério?
A continuidade das atividades profissionais do leiloeiro representa outro ponto central da controvérsia.
Elaine questiona a permanência de anúncios de leilões no site ligado à atuação de Rogério, mesmo após seu falecimento.
Sua preocupação envolve a identificação de quem estaria administrando as operações, os contratos e os compromissos comerciais anteriormente associados ao empresário.
O exercício da profissão de leiloeiro público oficial é regulamentado pelo Decreto nº 21.981/1932 e por normas administrativas aplicáveis à atividade.
A matrícula profissional possui caráter pessoal. Isso significa que a habilitação de um leiloeiro falecido não pode simplesmente ser transferida para outra pessoa como se fosse um bem comercial comum.
Essa característica, contudo, não significa que todos os contratos, ativos empresariais ou procedimentos relacionados à estrutura de negócios desapareçam automaticamente com a morte do profissional.
A situação exige análise individualizada dos contratos, das responsabilidades assumidas, da titularidade dos bens e das regras aplicáveis à continuidade ou conclusão de operações.
A permanência de anúncios em um site também não comprova, isoladamente, que leilões estejam sendo realizados irregularmente.
É necessário verificar se os anúncios correspondem a operações antigas, procedimentos em andamento ou novos certames e identificar o profissional legalmente responsável.
Empresa Plural é mencionada na controvérsia
Outra frente de questionamentos envolve uma empresa identificada por Elaine como Plural.
Segundo seu relato, a empresa teria ligação com Juliana de Andrade Souza e passado a participar da administração operacional de atividades anteriormente vinculadas a Rogério.
Elaine afirma que pretende esclarecer a estrutura de gestão, a titularidade dos bens e os direitos relacionados às operações.
O material disponibilizado, entretanto, não apresenta documentação societária que permita confirmar a relação empresarial mencionada.
Também não há elementos suficientes para concluir que a eventual participação da empresa nas atividades represente alguma irregularidade.
A verificação dependeria de contratos, registros comerciais e documentos que identificassem as responsabilidades de cada pessoa física ou jurídica envolvida.
Contratos, comissões e patrimônio podem entrar na Justiça
Elaine afirma que pretende buscar judicialmente medidas para preservar documentos e informações ligados à trajetória profissional de Rogério.
Entre os elementos mencionados estão contratos comerciais, registros contábeis, comissões, marcas, domínios de internet e bancos de dados.
A discussão patrimonial poderá exigir a identificação da titularidade de cada ativo e de sua relação com eventuais empresas, contratos particulares ou direitos sucessórios.
Nem todos os bens relacionados à atividade profissional de Rogério necessariamente integram seu patrimônio pessoal.
Da mesma forma, a condição de ex-companheira ou ex-cônjuge não estabelece, automaticamente, direitos sobre a totalidade dos ativos.
A definição de eventuais direitos de Elaine dependerá da situação matrimonial, do regime de bens, de decisões judiciais e da natureza jurídica do patrimônio discutido.
Os direitos dos cinco filhos também precisarão ser observados conforme as regras sucessórias aplicáveis.
Elaine Menezes promete preservar o nome de Rogério
Apesar dos conflitos relatados, Elaine afirma que pretende continuar sua trajetória profissional no setor de leilões.
Ela sustenta que preservar a história do empresário significa também proteger os direitos dos filhos e garantir atenção à mãe idosa.
A ex-companheira ressalta que esteve ao lado de Rogério em períodos de saúde e doença e que sua participação na vida pessoal e profissional dele não pode ser apagada.
Ela também afirma que continuará utilizando o sobrenome Menezes Nunes, que considera parte de sua identidade.
O posicionamento demonstra que a disputa não se resume a questões financeiras. Para Elaine, existe também um conflito envolvendo reconhecimento, memória e participação na história construída pelo empresário.
O que ainda precisa ser esclarecido
A morte de Rogério Menezes Nunes deixou questões que ultrapassam o âmbito familiar e alcançam a administração de atividades comerciais, a sucessão patrimonial e os direitos de pessoas diretamente envolvidas.
As principais dúvidas dizem respeito à situação jurídica dos relacionamentos, à titularidade dos bens, à administração das operações de leilões, à origem dos recursos da cerimônia mencionada por Elaine e às circunstâncias das movimentações judiciais.
Também permanecem sem confirmação independente algumas das alegações apresentadas pela ex-companheira sobre Juliana de Andrade Souza e outros envolvidos.
As informações divulgadas até aqui representam predominantemente a versão de Elaine, conforme publicada pelo Metrópoles.
Nos anexos disponibilizados, não constam manifestações de Juliana de Andrade Souza, Guilherme Rabello de Moraes ou dos responsáveis pela empresa Plural sobre os questionamentos.
Entre uma cerimônia estimada em R$ 800 mil, disputas sobre a despedida, movimentações judiciais e dúvidas sobre o destino dos negócios, o caso Rogério Menezes reúne elementos de um conflito familiar de grandes proporções.
A apuração documental e a manifestação das demais partes serão fundamentais para determinar quais questionamentos possuem fundamento e quais situações encontram explicação nos registros civis, empresariais e judiciais.
Por enquanto, existe uma certeza: a morte do leiloeiro encerrou uma trajetória profissional iniciada em 1989, mas deixou em aberto uma disputa sobre patrimônio, direitos e memória que poderá continuar nos tribunais.