O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou, nesta terça-feira (13), que os palestinos retirados de um campo de refugiados na Cisjordânia ocupada não poderão voltar para suas casas.
No último domingo, a Suprema Corte israelense ordenou que o Exército tomasse as medidas necessárias para permitir o retorno dos moradores de Jenin, Nur Shams e Tulkarem, retirados durante as operações militares realizadas em 2025.
No entanto, em uma declaração em vídeo gravada perto do campo de refugiados de Tulkarem, Netanyahu classificou o local como um "reduto terrorista" e elogiou o Exército israelense por tê-lo "limpado", de acordo com suas "diretrizes".
"Ouvi dizer que há alguém na Suprema Corte afirmando que os moradores deveriam ser trazidos de volta para cá. Não são moradores, são terroristas", acrescentou o primeiro-ministro.
Netanyahu não esclareceu se também se referia aos outros dois campos.
Desde janeiro de 2025, dezenas de milhares de palestinos foram retirados dos três campos de refugiados, localizados no norte da Cisjordânia.
O Exército israelense afirmou que realiza operações para, segundo ele, desmantelar a infraestrutura de grupos armados nessas regiões.
A maioria dos deslocados não conseguiu voltar para casa.
Israel "montará guarda do (rio) Jordão até o mar", acrescentou Netanyahu. "Quero advertir nossos inimigos que estamos preparados para qualquer cenário", insistiu.
Aproximadamente 1,98 milhão de pessoas — o equivalente a cerca de 94% da população total da Faixa de Gaza — estão deslocadas internamente ou precisam de assistência urgente com abrigo e itens básicos, segundo dados atualizados pela UNRWA e agências humanitárias vinculadas à ONU.
O conflito começou após o ataque sem precedentes do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023, que matou 1.221 pessoas, segundo um levantamento da AFP baseado em dados oficiais israelenses.
Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, que está sob controle do Hamas e cujos números são considerados confiáveis pelas Nações Unidas, a contra-ofensiva israelense matou mais de 74 mil pessoas.
AFP