Durante a 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, neste sábado (12), o cineasta Kleber Mendonça Filho falou ao Jornal de Brasília sobre a importância das políticas públicas de audiovisual em um ano marcado por eleições. Para o diretor, o debate sobre o papel do Estado no fomento à cultura ganha peso especial no atual momento político do país.
"Neste ano eleitoral, é fundamental refletir sobre a relevância das políticas públicas voltadas ao setor audiovisual. A Constituição Brasileira estabelece o dever do Estado de fomentar a produção, a divulgação e a difusão cultural, um modelo de proteção e incentivo que é frequentemente admirado por profissionais de países como os Estados Unidos, justamente por se assemelhar aos sistemas francês e europeu de apoio governamental à cultura", disse Kleber Mendonça Filho.
O caso "Dark Horse"
Durante a entrevista, o cineasta também citou o escândalo financeiro envolvendo o filme "Dark Horse" (cinebiografia ficcional que retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro), para contrastar diferentes modelos de gestão de recursos públicos voltados à cultura. Para Kleber, o episódio expõe uma contradição diante de sistemas de fomento mais estruturados, como o brasileiro.
"É, portanto, contraditório que um país com mecanismos tão bem estruturados, pautados por rigorosas normas fiscais e de responsabilidade administrativa, enfrente um episódio tão crítico quanto o ocorrido com o filme Dark Horse. Este caso representa a antítese dos princípios de gestão pública cultural", afirmou ao Jornal de Brasília.
O diretor ainda destacou a contradição de setores políticos de extrema direita estarem associados a esse tipo de escândalo. "É notável que correntes políticas ligadas à extrema direita se vejam envolvidas em um escândalo financeiro desta natureza, justamente no país que possui um dos sistemas de fomento cultural mais organizados e consolidados, estruturado por meio de suporte federal, estadual e municipal", completou Kleber Mendonça Filho.