JOSÉ MARQUES
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

A Polícia Federal cumpre quatro mandados de busca e apreensão na Barra da Tijuca, na zona sudoeste do Rio de Janeiro, na 9ª fase da Operação Unha e Carne, que investiga conexões de agentes públicos com organizações criminosas que atuam no estado.

As buscas são feitas em imóveis e endereços ligados ao pastor Márcio Poncio, que é empresário do ramo do tabaco e fundador da Igreja da Nuvem, e foi preso em julho, na quinta etapa da operação. Depois, ele foi para prisão domiciliar.

A reportagem tenta localizar a defesa de Poncio.

A operação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), e é um desdobramento da quinta fase, de julho, que teve como alvos o próprio Poncio, ex-presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio) Rodrigo Bacellar, o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, e o pastor Márcio Poncio.

De acordo com a PF, o objetivo é investigar suspeitas de lavagem de dinheiro, ocultação patrimonial e uso de laranjas para dissimular a propriedade de bens e valores.

As buscas são realizadas em salas comerciais suspeitas de serem estruturas operacionais e administrativas dos investigados.

"As investigações apontaram indícios da existência de uma complexa rede patrimonial composta por imóveis de alto padrão, aeronaves executivas, veículos de luxo e empresas registradas em nome de familiares, colaboradores próximos e terceiros formalmente desvinculados do núcleo investigado, mas que permaneceriam sob administração de integrantes da organização criminosa", diz a PF, em nota.

A corporação diz que também foi constatado o uso de dinheiro em espécie, movimentações financeiras sem rastreabilidade e a utilização de empresas nacionais e estrangeiras, "além da possível utilização de entidades religiosas e holdings patrimoniais para desvinculação formal da titularidade de bens de elevado valor econômico".

Pai da deputada estadual Sarah Poncio (Solidariedade-RJ) e do cantor Saulo Poncio, Márcio ganhou notoriedade tanto pela atuação religiosa quanto pelos negócios no setor de cigarros, o que lhe rendeu o apelido de "pastor do cigarro".