O PL liderou o recebimento de doações feitas diretamente a candidatos pelos 100 maiores financiadores pessoas físicas das eleições, com R$ 19,8 milhões, segundo levantamento do Estadão/Broadcast. A sigla saiu do primeiro turno com as maiores bancadas eleitas para a Câmara e o Senado e com Flávio Bolsonaro à frente na disputa presidencial.
A sigla elegeu 121 deputados federais e terá 28 senadores a partir de 2027, dos quais 19 foram eleitos neste ano e nove têm mandato até 2030. Na corrida ao Planalto, Flávio obteve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Entre os 100 maiores doadores, 42 destinaram recursos diretamente a candidatos do PL. Pelo menos 30 deles têm atuação ou trajetória empresarial, em setores como calçados, supermercados, agronegócio, construção, bancos e saúde.
Para fazer o levantamento, o Estadão/Broadcast reuniu as planilhas dos 100 maiores doadores pessoas físicas no ranking do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), consultadas em 13 de outubro. As contribuições foram somadas por candidato e por partido, separando o dinheiro enviado às campanhas daquele destinado aos diretórios. O recorte não considera toda a arrecadação das candidaturas nem os repasses de fundos públicos.
As candidaturas do PT ficaram em segundo lugar, com R$ 13,7 milhões recebidos desses financiadores. As do PSD vieram na sequência, com R$ 12,4 milhões.
Além das doações às campanhas, os diretórios do PL receberam R$ 3,9 milhões, elevando o total da legenda no levantamento a R$ 23,7 milhões. Quando essas transferências partidárias entram na conta, porém, o PSD passa à frente, com R$ 34,8 milhões.
Candidatos do PL que receberam mais doações
Candidato do PLDisputaDoações no recorte (R$)Resultado no 1º turnoFlávio BolsonaroPresidênciaR$ 3.500.000Segundo turno, com 47,03% dos votos válidosLuciano ZuccoGoverno do RSR$ 3.000.000Eleito, com 58,05% dos votos válidosBruno ScheidSenado por ROR$ 2.445.000Eleito, com 474.226 votosFlávio RoscoeGoverno de MGR$ 2.100.000Não eleito, com 6,97% dos votos válidosVinicius DinizDeputado federal por MGR$ 1.500.000Eleito, com 80.567 votosMendonça FilhoSenado por PER$ 1.200.000Não eleito, com 1.728.587 votosNikolas FerreiraDeputado federal por MGR$ 651.000Eleito, com 3.119.318 votosLucas PavanatoDeputado federal por SPR$ 50.000Eleito, com 3.038.438 votosCandidatos e empresários doadores
Dos 62 candidatos do PL beneficiados, 30 foram eleitos e 31 não conquistaram mandato. Flávio, único que segue em disputa, recebeu R$ 3,5 milhões, o maior valor da sigla no recorte.
Até o primeiro turno, em 4 de outubro, os candidatos do PL haviam recebido R$ 18,3 milhões desse grupo, mantendo a liderança. Já na campanha do segundo turno, Flávio recebeu mais R$ 1,5 milhão desses financiadores, elevando o total destinado às candidaturas da sigla para R$ 19,8 milhões.
Parte desse dinheiro veio de famílias da indústria química e do agronegócio. Em 6 de outubro, Angela Cristina Cattozatto Fortunato doou R$ 1 milhão. Ela é mulher de Francisco Fortunato, presidente e acionista do Grupo OCQ, fornecedor de matérias-primas para tintas, adesivos e construção.
Na mesma data, os irmãos Aluizio e Rogerio Merlin Ribeiro doaram R$ 250 mil cada. Os dois são empresários com trajetória na Incobrasa, empresa familiar brasileira que atua nos Estados Unidos com processamento de soja, óleo comestível e biodiesel.
Entre os eleitos, Luciano Zucco recebeu o maior valor: R$ 3 milhões de Alexandre Grendene Bartelle, cofundador e presidente do conselho da Grendene, dona de marcas de calçados como Melissa, Ipanema e Rider. Zucco venceu o governo do Rio Grande do Sul no primeiro turno, com 3.516.048 votos, ou 58,05% dos válidos.
Bruno Scheid, eleito senador por Rondônia com 474.226 votos, recebeu R$ 2,445 milhões de dois financiadores da pecuária. Carla Rosana de Freitas, sócia-administradora da Agropecuária Itaúna, doou R$ 1,445 milhão. A empresária é mãe de Guilherme Teodoro, primeiro suplente da chapa. Freddy Menegussi, sócio-administrador da Agropecuária São Joaquim, contribuiu com R$ 1 milhão. Ambas as empresas atuam na criação de bovinos para corte.
Vinicius Diniz, eleito deputado federal por Minas Gerais com 80.567 votos, recebeu R$ 1,5 milhão de Helton Coelho Diniz, sócio da rede de supermercados Coelho Diniz, do leste do Estado.
Entre os beneficiados também estão os dois deputados federais mais votados da história. Nikolas Ferreira (MG), reeleito com 3.119.318 votos, recebeu R$ 651 mil. Seus financiadores incluem Robert Carlos Lyra, da Delta Sucroenergia, produtora de açúcar e etanol, Sergio Augusto Guerra de Resende, com negócios em concessionárias e locação de veículos, e Ricardo Annes Guimarães, vice-presidente do conselho do Banco BMG.
Já Lucas Pavanato (SP), segundo mais votado do País, com 3.038.438 votos, recebeu R$ 50 mil, divididos entre os irmãos Salo Davi Seibel e Helio Seibel. Os empresários têm negócios em madeira e materiais de construção, com participações na Dexco, dona das marcas Duratex e Deca.
Nesse recorte, Nikolas recebeu cerca de 13 vezes o valor destinado a Pavanato, embora ambos tenham ultrapassado 3 milhões de votos. A comparação considera só esses doadores, não toda a arrecadação das campanhas.
Entre os derrotados, Flávio Roscoe recebeu o maior valor, R$ 2,1 milhões. O empresário, que presidiu a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), terminou em terceiro na disputa pelo governo mineiro, com 6,97% dos votos válidos.
Mendonça Filho recebeu R$ 1,2 milhão e ficou em terceiro na disputa pelo Senado por Pernambuco, com 1.728.587 votos, ou 18,57%. Seus financiadores incluem João Carlos Paes Mendonça, criador da rede Bompreço e empresário de shopping centers e comunicação, e Edson e Pedro Ivo Viana Moura, com trajetória no Grupo Moura, fabricante de baterias.
Outros financiadores são Luiz da Rocha Salles Filho, ex-sócio da construtora OAS, que doou R$ 1 milhão a Flávio, e Hugo de Carvalho Ribeiro, ligado ao Grupo Amaggi, do agronegócio, com R$ 650 mil para candidatos do PL. Fernando de Castro Marques, da União Química, fabricante de medicamentos humanos e veterinários, e Gilson Lari Trennepohl, da Stara, fabricante de máquinas agrícolas, doaram R$ 550 mil cada.
Erasmo Carlos Battistella, fundador da Be8, produtora de biodiesel, dividiu suas contribuições entre os dois adversários na disputa presidencial: doou R$ 500 mil a Flávio e o mesmo valor a Lula.
Estadão Conteúdo