O senador e candidato Flavio Bolsonaro (PL) acusou o governo federal de “punir os motoboys” ao negar autorização para ampliar a Faixa Azul em São Paulo. A declaração foi dada durante sabatina na Rede Globo na sexta-feira (16).

Flavio afirmou que a medida prejudica o prefeito Ricardo Nunes (MDB), seu aliado político e opositor do presidente Lula. A autorização para novas faixas depende da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), órgão do Ministério dos Transportes, porque o projeto-piloto não está previsto na legislação nacional.

Um relatório técnico da SPTrans, divulgado em 2026, analisou dados até dezembro de 2025 nas vias onde a faixa foi instalada. O documento mostra aumento de 19,2% no total de mortes, que passaram de 57 para 68.

O número de mortes de motociclistas cresceu 17,5%. Entre pedestres, os óbitos tiveram alta de 150% nessas vias, de acordo com o levantamento oficial da prefeitura.

A gestão Nunes defende que o projeto aumenta a segurança viária e permite aos motoboys trafegar mais rápido para realizar mais entregas. O prefeito alega redução de 47% no número de acidentes onde a faixa existe.

Contudo, o relatório da SPTrans indica que a sensação de proteção na faixa exclusiva faz os motociclistas acelerarem, causando acidentes mais graves. O documento também aponta manipulação nos dados apresentados pela prefeitura para justificar a segurança.

A Senatran informa que os dados enviados pelos municípios estão em período de avaliação. A partir dessa análise, será definida a continuidade do projeto experimental ou sua regulamentação definitiva.

Atualmente, além da capital paulista, cidades como Diadema, Fortaleza e Porto Alegre também implantaram faixas exclusivas para motos.