Amigas, eu estava saindo de um shopping em Lisboa, tentando encontrar a saída certa, quando o grupo das minhas fofoqueiras começou a disparar mensagens. Era Sabrina Sato se pronunciando sobre os comentários de Fred Kachar, então executivo da Editora Globo, em uma conversa com o banqueiro Daniel Vorcaro. Parei tudo. Porque, minha gente, quando uma mulher precisa responder publicamente à falta de respeito de dois homens poderosos, o problema já passou da conta.
A confusão começou com a divulgação, nesta quarta-feira (14), de mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. As conversas, trocadas em fevereiro de 2024, mostram Kachar e o banqueiro fazendo comentários sobre mulheres durante um baile de Carnaval da revista Vogue. Entre os nomes mencionados estavam Deborah Secco e Sabrina Sato.
E agora vem a parte que me fez quase derrubar o telemóvel no chão. Em uma das mensagens, Kachar escreveu: “Deborah Secco estava para jogo. Sabrina também. Soltinha”. Vorcaro respondeu: “Mas estava muito feia kkk”. O executivo da Globo continuou: “Eu só olhava para a bunda dela, mas concordo que a fantasia era broxante”. Gente, estamos falando de homens adultos, em posições de influência, conversando sobre mulheres como se estivessem avaliando mercadorias numa vitrine.
Sabrina, que construiu uma carreira na televisão, na publicidade e no entretenimento, não deixou a exposição passar sem resposta. Nesta quinta-feira (15), sua assessoria repudiou a associação do nome da apresentadora a comentários classificados como “de teor machista, desrespeitoso e irresponsável”. E convenhamos: a questão ultrapassa o nome de Sabrina. Deborah Secco também foi mencionada nessa conversa que ninguém imaginava ver exposta publicamente.
O detalhe que transforma essa fofoca em um terremoto corporativo é o cargo ocupado por Fred Kachar. Ele estava à frente da Editora Globo, empresa ligada a publicações que trabalham diariamente com imagem, comportamento, moda e representação feminina. Segundo as informações divulgadas nesta quinta-feira, Kachar foi demitido um dia depois de as conversas se tornarem públicas. Que situação, minhas senhoras! O homem que comandava uma operação editorial acabou virando personagem de uma notícia que nenhuma assessoria gostaria de administrar.
E tem uma ironia que não me escapa. Sabrina Sato estava justamente em um evento de moda, ambiente em que sua presença pública e seu trabalho são parte da profissão. Enquanto isso, nos bastidores de uma conversa privada, dois homens resolveram reduzir mulheres conhecidas a comentários sobre aparência e disponibilidade sexual. O contraste é tão constrangedor que dispensa qualquer roteiro de comédia.
Saí daquele shopping em Lisboa pensando numa coisa: durante muito tempo, conversas desse tipo foram tratadas como brincadeiras entre homens importantes. Só que a divulgação das mensagens colocou os comentários diante do público, e Sabrina decidiu repudiá-los.
No fim, Sabrina estava trabalhando, os homens estavam comentando e quem acabou perdendo o cargo foi um deles. O machismo, desta vez, veio com nome, sobrenome e conversa registrada.