Erika Hilton acionou a Justiça após um perfil no Instagram publicar um vídeo criado por inteligência artificial que mostra uma versão falsa de Nikolas Ferreira dando um tapa no rosto da deputada e a derrubando no chão. A postagem trazia ainda a frase “Toma Puta” na legenda.
Eu estava no Jardim da Estrela, tentando aproveitar a sombra depois de uma manhã intensa, quando me deparei com essa história e perdi até a vontade de olhar as árvores. Porque uma montagem dessas não é piada, não é debate e muito menos liberdade de expressão: é violência simulada contra uma mulher trans e parlamentar eleita.
A montagem apresenta uma versão artificial de Nikolas Ferreira dando um tapa em Erika Hilton, em uma cena que não aconteceu.A ação foi protocolada em 7 de outubro contra a Meta e Leandro Viana, responsável pelo perfil “Leandro Viana - A Voz da Bahia”. Erika pede uma liminar para retirar o conteúdo imediatamente, além de R$ 20 mil de indenização por danos morais.
Eu acho de uma covardia colossal usar uma ferramenta para inventar uma agressão e ainda tratar a violência como entretenimento político. A inteligência pode até ser artificial, mas a misoginia e a transfobia de quem produz, compartilha e comemora esse tipo de material são muito reais.
Nos autos, a deputada afirma que a publicação ultrapassa os limites da liberdade de expressão, incentiva agressões e explora a imagem de Nikolas Ferreira, apontado por ela como adversário político. A parlamentar também sustenta que o perfil publica outros conteúdos semelhantes gerados por IA para impulsionar determinado discurso político.
Sentada ali, eu só pensava que essa turma parece ter descoberto a tecnologia sem descobrir responsabilidade. Criam uma cena inexistente, espalham como se fosse meme e deixam a vítima lidar com a ameaça, a humilhação e a avalanche de comentários. É uma fábrica de ódio com filtro digital.
Além da retirada definitiva do vídeo, Erika solicitou que a Meta forneça dados capazes de identificar corretamente o responsável pela postagem. O caso ainda será analisado pela Justiça.
A deputada Erika Hilton também solicitou informações para identificar o responsável pela publicação do conteúdo gerado por inteligência artificial.Eu deixo um recado simples, porque às vezes o óbvio precisa gritar: oposição não autoriza desumanização. Quando uma mulher trans precisa ir ao tribunal para impedir que uma agressão falsa circule como diversão, o problema já passou muito da tela.