O voto feminino entrou no centro da disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) no horário eleitoral desta quinta-feira, 3 Enquanto o candidato do PL abordou o recorde de feminicídios para criticar a segurança pública no atual governo, a campanha petista levou a primeira-dama Janja da Silva ao rádio para apresentar ações voltadas às mulheres.

Flávio afirmou que o Brasil registrou um número recorde de feminicídios em 2025 e classificou os crimes como "covardes". Apresentando-se como pai, marido e filho, prometeu dar atenção especial ao tema caso seja eleito presidente e declarou que os responsáveis por crimes contra mulheres devem "pagar pesadamente dentro da lei". Na sequência, o narrador do programa responsabilizou Lula e o PT pela situação da segurança pública.

A abordagem aprofundou a ofensiva de Flávio em busca do eleitorado feminino. Na estreia da propaganda no rádio, o senador havia adotado um tom familiar, com referências à mulher, Fernanda Bolsonaro, às filhas e à mãe, Michelle Bolsonaro. "Lá em casa, quem manda são elas", disse na ocasião. Desta vez, a campanha associou diretamente a violência contra a mulher ao discurso de endurecimento das políticas de segurança defendido pelo candidato.

No programa de Lula, Janja participou pela primeira vez dos blocos de rádio desta campanha. A primeira-dama, que já havia aparecido na estreia da propaganda televisiva, foi escalada para apresentar medidas do governo direcionadas às mulheres. A presença reforça a tentativa da campanha petista de vincular a candidatura à agenda de proteção e ampliação de direitos, enquanto Flávio procura explorar os índices de violência como uma fragilidade da atual gestão.

Broadcast Político apurou, a partir dos mapas de mídia disponibilizados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que a ofensiva de Flávio na área da segurança também se estendeu às inserções de 30 segundos. O senador teve dez spots previstos para esta quinta-feira, todos concentrados no tema. Em uma das peças, afirma que soberania também significa poder andar nas ruas e chegar em casa sem medo. Em outra, destaca sua atuação parlamentar na área e o papel de relator da proposta que acabou com a saída temporária de presos.

Lula teve 12 inserções previstas, todas relacionadas à proposta de acabar com a jornada de trabalho de seis dias por um de descanso, sem redução salarial. Parte dos spots defende a mudança como forma de ampliar o tempo do trabalhador com a família. As demais peças usam uma declaração de Flávio contrária à proposta para apresentar o adversário como opositor da medida.

Estadão Conteúdo.